sábado, 12 de novembro de 2011

ALMA POÉTICA

O MEU LUGAR É NO ÚTERO DA POESIA

Foi-me pedido para fazer a apresentação (desnecessária) do poema O MEU LUGAR do diretor de Teatro e poeta Gladiston de Araújo, mas, o que dizer senão que ele possui uma paixão que é satisfatória para o explicar. em seus versos há algo que pulsa, que vibra, que explode ao cinzelar a palavra e transformá-la em sonoridades que cintilam aos olhos e na alma do leitor. O poema que tenho diante de mim, revela que seu autor é certamente um alquimista da palavra. Não a palavra enquanto entidade abstrada, mas a palavra como entidade concreta: com cores, sonoridades, volume e massa, com imensa capacidade de descrição e evocação. A riqueza das metáforas utilizadas em O MEU LUGAR fizeram com que vários sentimentos jorrassem a minha alma, concernente a tudo aquilo que a palavra diz respeito. O MEU LUGAR levou-me a relembrar Aristóteles e o que o Livro I da Retórica, quando, para estudo do discurso, estabeleceu a distinção entre "aquele que fala, o assunto de que fala e aquele a quem se fala", naquilo que mais tarde veio sustentar a teoria da comunicação. O mago filósofo grego, ao escrever o seu pensamento sobre o discurso poético, com certeza não poderia imaginar que Gladiston de Araújo, na sua poesia, estabeleceria liminarmente as fronteiras definidoras daquel original tripartição. Pois nos seus versos "aquele que fala", "aquilo de que se fala" e "aquele para quem se fala" são um e apenas um, ou seja, fundem-se como um só, numa mesma realidade. O seu lugar meu caro poeta, é no útero da poesia.
 Robson Waite Mendes Pereira - Poeta e Escritor

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O Meu lugar

Gladiston de Araújo


O meu lugar
É
Pretérito
Mais
Que
Perfeito
Conjugado
No imperativo
De manhãs
Efêmeras
Alçando voos
Em tardes
Fagueiras
O Meu lugar
É
Futuro
Do
Presente
Flexionado
No andarativo
Do Sol
Avançando
O dia
Sombreando
A soleira
Da porta


O meu lugar
É
Pretérito
Do
Futuro
Infinitivo
De auroras
Passageiras
Adentrando
Batentes
E portais
Entardecidos
De “raios” de vida


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