quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

RESENHA DA HISTÓRIA DE FELISBURGO

“O Território Botocudo e o foco de resistência de escravos Paraguai dão origem a Felisburgo”


Território Botocudo


 As terras que compõem o atual Município de Felisburgo, até as primeiras décadas dos anos de 1.800, integravam os vastos territórios dos implacáveis índios boruns. Boruns: palavra indígena que significa “homens verdadeiros”, ou “botocudos”. (tipo de rolha utilizada em Portugal para tampar barril de cachaça). No início do século XIX aumentaram os desencontros entre os índios e os brancos que viviam no baixo Jequitinhonha. Estes índios eram acusados de beber o sangue dos portugueses e comer-lhes a carne. Tais reclamações, somadas aos interesses econômicos fez com que a Metrópole decretasse guerra oficial aos índios,  “até que o último botocudo seja morto”. E assim se fez! Os indígenas botocudos foram durante muito tempo caçados até que desapareceram. Todos foram mortos...

 Território Quilombola

Capelinha de São Francisco de Assis - Quilombola Paraguai - FELISBURGO/MG

Entre os anos de 1862 a 1.869, foi criado um foco de resistência quilombola, o Paraguai, por Manoel Antônio de Matos, advindo do quilombo Mumbuca, sediado no município de Jequitinhonha-MG. As famílias Matos, Marques e Vaz são oficialmente as fundadoras do Paraguai. Todas provenientes do Serro e de Diamantina. Todas fugitivas, pois eram escravas. A região do quilombo recebeu o nome de Paraguai depois de uma grande caçada aos macacos que povoavam as matas fechadas da localidade e que eram acusados de causarem prejuízos às lavouras. Naquela caçada foram mortos, aproximadamente, 200 primatas.
“É a guerra! A Guerra do Paraguai!” – gritou um dos caçadores.
Daquele dia em diante, o quilombo se tornou Paraguai.

Nasce o Comercinho do Rubim do José Ferreira
 
O Alferes Prudenciano José Ferreira Souto tido como fundador do Comercinho do Rubim ou Rubim de José Ferreira, atual Felisburgo, chegou à região dos botocudos e do quilombo Paraguai no ano de 1871, enviado pelo Alferes Julião Fernandes, com a finalidade de pacificar os constantes conflitos entre indígenas e sertanejos pela posse das terras. Mas, acometido pela malária, José Ferreira foi levado primeiro a Governador Valadares, onde faleceu, e depois, ao Rio de Janeiro, sua terra natal, para ser sepultado. Em 1902, o precursor Manoel Albino iniciou a construção de uma capela em louvor a São Sebastião, onde atualmente localiza-se a Praça Tranquilino Pinto Coelho, oficializando desta forma, a fundação do povoado. No ano de 1.903 foi celebrada a primeira Missa no povoado, pelo Frei Emereciano, pároco de São Miguel do Jequitinhonha, atual cidade de Jequitinhonha. E entre 1910 a 1911 foi inaugurado o oratório de Nossa Senhora do Rosário, onde atualmente encontra-se construída a Escola Municipal Euplínia Magalhães Barbosa.  Dentre os  principais  pioneiros  destacamos  o diamantinense  João Baptista Brazil Lopes de Figueiredo que ainda jovem chegou à região e fixou morada na “Fazenda Ramayana”. Em 1918, Baptista Brazil, encaminhou a Olinto Martins da Silva, então Presidente da Câmara Municipal de Jequitinhonha, a solicitação para mudança do nome do povoado para Felisburgo. O topônimo Felisburgo é o resultado da fusão de duas palavras oriundas do latim: felix e burgo.

Felix = feliz e burgo = cidade.
Felisburgo significa “feliz cidade”.
Literalmente: FELICIDADE.

Em 1927, Baptista Brazil torna-se primeiro vereador eleito para representar o distrito de Felisburgo.  Em 1936 ele se reelege.

Baptista Brazil

Enfim, a Emancipação!
 
Em 1948, quando Joaíma elevou-se a Município, automaticamente, Felisburgo passou a ser um dos seus distritos. Enquanto Distrito de Joaíma, entre 1954 e 1956, foi construída a igreja de N.Sra do Rosário, substituindo a precursora capela de São Sebastião. Foram Criadas as Escolas Reunidas (1.958) e o Social Ilusão Clube (1.960). Estas instituições muito contribuíram para o desenvolvimento educacional e cultural do distrito. Em 1º de Março de 1963, Felisburgo deixa a condição de distrito e passa a ser Município. Chega assim, a Emancipação político-administrativa.

Igreja Matriz do Rosário

Felisburgo está localizado no baixo Jequitinhonha, a 63 km da comarca de mesmo nome, a 737 quilômetros da capital do Estado de Minas Gerais, Belo Horizonte, 830 km de Vitória (ES), 965 km do Rio de Janeiro (RJ), 1.275 km de São Paulo (SP) e 1.285 km da capital do Brasil, Brasília-DF. O principal acesso a Felisburgo é pela rodovia MG- 205, recentemente asfaltada.
O Município possui área territorial de 596 km², com relevo 20% plano, 40% ondulado e 40% montanhoso. Situa-se nas bacias hidrográficas dos rios Jequitinhonha e Jucuruçu.
Têm uma população de 7.356 habitantes divididos entre a área urbana e rural, segundo dados do último censo.
A maior altitude municipal é de 1.089 metros e, na sede, 610 metros acima do nível do mar, possibilitando assim um clima ameno com noites propícias para dormir um sono tranquilo. Quanto à temperatura, acontece uma variação entre 24,4ºC e 31,1ºC. Com média mínima anual de 19,3ºC. O índice médio de chuva anual é de 841 mm. Este índice é considerado bastante baixo e chega muitas vezes comprometer a agropecuária, que representa a base da economia do município.
Felisburgo limita-se com os Municípios de Jequitinhonha, Joaíma, Santa Helena de Minas, Rio do Prado, Rubim, Bertópolis e Fronteira dos Vales.
A sede é dividida em centro e bairros. Bela Vista, Nossa Senhora D’ájuda, Cidade Nova, Alto da Capelinha, Vila Souza, Pampulhinha e Serra Morena, são os bairros da cidade. Prata, Paraguai, Para-Terra, Prates, Tanque, Córrego Azul, Café, Aliança e Terra Prometida Compõem o grupo das comunidades rurais do Município.

Região do Vale do Jequitinhonha - Minas Gerais - Brasil


O Primeiro intendente do Município, cargo equivalente ao de prefeito, foi exercido por Dário Félix Ferreira. O primeiro prefeito eleito foi Jair Pinto Coelho (1964-1966). O atual prefeito, Jânio Wilton Murta Pinto Coelho, tomou posse em 1º de janeiro de 2.009 e vai administrar o Município até 31 de dezembro de 2.012.
O índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de Felisburgo ocupa o lugar de número 766, em Minas Gerais e 3.884, no país. Índice considerado muito baixo.
Felisburgo ficou conhecido no Brasil e no mundo depois do massacre de 05 trabalhadores rurais sem-terra, no dia 20 de novembro de 2.004. Na ocasião, pistoleiros contratados pelo acusado, o fazendeiro Adriano Chafik, atacaram o acampamento Terra Prometida, na Aliança, mataram 05 pessoas, deixaram 18 feridos e atearam fogo no acampamento. A intolerância do latifúndio foi a base de tal violência que calou o diálogo e desconsiderou a justiça do país.


 
PANORAMA FELISBURGUENSE

O município de Felisburgo possui extenso acervo cultural que vai desde músicas, teatro, artesanato até o folclore e tradições religiosas. Tem como referência o Grupo Cisne de Teatro, as Folias de Reis, o Batuque da Prata, a Associação dos Artesãos (FELIZ ARTE). Em tempo, vale ressaltar a força do carnaval, a tradição das festas juninas, a religiosidade da Semana Santa e da Festa de Corpus Christi, as cavalgadas e os torneios regionais esportivos que movimentam a cidade o ano todo. Devido à sua altitude, Felisburgo, possui um clima ameno com temperaturas agradáveis, principalmente ao cair da tarde, quando começa soprar um friozinho. O clima ameno oferece campos verdes por muitos meses do ano. Do alto das montanhas, observa-se baixadas com pastagens intensamente verdejantes, sempre entrecortadas de rios e córregos de água fresca. Aqui e acolá, uma cachoeira aparece para enfeitar o lugar. Por falar em água, convém lembrar a histórica e poética Lagoa dos Coelhos. Nas chapadas bromélias multicores se espalham grudadas aos antigos troncos e, assistir um pôr do sol, sentado na soleira da Capelinha Nossa Senhora das Graças, vendo a cidade de Felisburgo do alto... É o máximo! Sem igual!

Centro Cultural Baptista Brazil
Neste 1º de março, Felisburgo comemora-se 49 anos e começa a caminhar rumo às comemorações do cinquentenário de emancipação em 2013. A caminhada até o cinqüentenário representa um desafio para todos os felisburguenses que vivem em um momento de muitas incertezas e de problemas sociais muito sérios. (desemprego, infra-estrutura, tráfico e consumo crescente de drogas, homicídios, roubos, prostituição, alcoolismo, etc.).
Vencer as mazelas será o grande triunfo dos cidadãos que amam e desejam viver numa Felisburgo que justifica o seu nome.
Uma Felisburgo mais humanizada.

 Pesquisa: Gladiston Batista de Araújo 



9 comentários:

  1. Muito bom Gladiston, é um prazer cada vez mais, ser um seguidor do seu blog.

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  2. Obrigado, Evandro! Espero estar mesmo contribuindo para com a nossa formação cultural.

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  3. Nasci em felisburgo, 1953 minha mente parece uma enciclopédia, pois lembro de quase tudo da minha época.Minhas professoras; Cleria Cangussú, Jurací, Da Reinalda, Esposa do meu Saudoso Padrinho José Duga. E por aí vai, se for dizer tudo, a página não cabe.

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    1. Valeu, conterrâneo! E obrigado por se lembrar destes maravilhosos professores e, também, do saudoso José Dias Pinto Coelho, Zé Duga. Que tal contar-nos mais das suas memórias de Felisburgo. Esteja a vontade e será uma honra.

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  4. Muito bom, Parabéns pela página.
    Prof. Boa tarde meu nome e jadir, moro em guarulhos SP. Talvez o Sr. pode me ajudar. Estou tentando encontrar os laços de descendência de família desta região. E-mail jadirempresarial @gmail. Com se puder mandar seu e-mail. Passo os dados mais completos. Boa noite.

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  5. Muito bom, Parabéns pela página.
    Prof. Boa tarde meu nome e jadir, moro em guarulhos SP. Talvez o Sr. pode me ajudar. Estou tentando encontrar os laços de descendência de família desta região. E-mail jadirempresarial @gmail. Com se puder mandar seu e-mail. Passo os dados mais completos. Boa noite.

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    1. Oi amigo! Que bom que você apreciou nosso blog. Se eu puder ajudar, será um prazer. email: gladistondearaujo@yahoo.com.br

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  6. Parabens gladiston , aprendi muito sobre minha cidade.

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  7. Gladiston, estou numa pesquisa se os fundadores de felisburgo sao de cristaos novos

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